
O Hospital São Lucas, em Vitória, viveu hoje mais um dia de caos e superlotação. O aposentado José Rodrigues é uma das pessoas afetadas pelo problema e tem passado mais tempo no hospital do que em casa. A esposa dele tem diabetes e está internada na enfermaria da unidade há 16 dias. "São quatro pessoas no quarto. Mas eu fico tranquilo. Eu fico com ela dia e noite, mas consegui um canto para eu ficar. Fiz uma cama para mim embaixo da pia", conta ele.
O aposentado considera a mulher uma privilegiada. Segundo ele, a realidade dela é diferente dos outros pacientes que estão espalhados pelos corredores do hospital. As condições são precárias e a pedido dos funcionários o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes) chegou a interditar a unidade na noite deste domingo (27) após a morte de um paciente. "Eu tenho visto muita falta de conforto no corredor porque as pessoas ficam deitadas no chão mesmo. Alguns não têm lugar para deitar e ficam sentados na cadeira. Eu acho difícil", afirma o aposentado.
A mesma situação encontrada no Hospital São Lucas pode ser observada em outros hospitais públicos do Estado. Imagens registradas por um paciente mostram a realidade do Hospital Dório Silva, em Laranjeiras, na Serra. Sem ter local apropriado, toalhas e pertences pessoais dos pacientes ficam espalhados. O ambulatório da emergência também não comporta a demanda. Ele foi construído para sete atendimentos simultâneos e na tarde desta segunda-feira (28) foi usado para 22. O presidente do Conselho Gestor do hospital afirma que o número de médicos também é insuficiente. "Há 15 anos nós não temos concursos públicos. Temos muitos voluntários e DTs que dão plantão no hospital. Efetivos são poucos", comentou Amarildo Peçanha.
O secretário Estadual de Saúde José Tadeu Marino afirma que isto é resultado de um final de semana atípico, em que a demanda por leitos foi alta. Foram quase 400 atendimentos nos hospitais da Grande Vitória.
Assim, muitas macas acabaram retidas. Ele ainda explica que o governo tem agido na tentativa de minimizar o problema da superlotação. "O governo tem transferido os pacientes dos corredores para os hospitais filantrópicos e fazendo a complementação comprando isso da iniciativa privada. Já comprando 850 leitos neste ano, com o emprego de mais de R$ 7 milhões. O que o governo pode fazer para não deixar nenhum paciente desassistido em nossos hospitais ele está fazendo", esclareceu.
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