quarta-feira, 28 de março de 2012

Há policiais a serviço do tráfico, diz Ministério Público

O papa Bento XVI chega de papamÃ?vel   para celebrar uma missa na praça da Revolução na cidade cubana de Santiago de Cuba, nesta segunda-feira (26).   Bento XVI pediu aos cubanos que lutem por uma sociedade aberta e renovada e os exortou à reconciliação em discurso no qual disse que Cuba já olha para o futuro e em que condenou com firmeza o capitalismo selvagemMilitares ocupam becos e ruas do Morro de São Benedito; reforço no policiamento não tem data para acabar

Gerra do Trafico de Drogas em Vitoria-ES

Arma da Polícia Militar foi encontrada com traficante de Vitória, no último domingo

Policiais civis e militares estão envolvidos com o tráfico de drogas na região de São Benedito e do Bairro da Penha, garante o Ministério Público. No último domingo, uma pistola que pertence à PM foi encontrada com um traficante. A arma estaria em poder do 1º Batalhão quando desapareceu.

A PM confirmou a apreensão da arma, mas negou que a pistola tenha sido repassada a traficantes por policiais. "A arma era da corporação, mas estava em poder da Justiça. Os detalhes do caso ainda estão sendo investigados", informou o tenente-coronel Reinaldo Brezinski, comandante do 1º Batalhão.

Também chamou a atenção do Ministério Público a solicitação de habeas corpus preventivo para 19 PMs. Segundo o órgão, o grupo fez o pedido após a prisão do soldado Wagner Guimarães Rocha, o Vaguinho. Apesar de não serem citados na ação do MP, eles tentaram se prevenir da prisão, pois temiam ser detidos sob acusados de ligação com o militar detido. O habeas corpus não foi concedido, pois o grupo não era investigado.

Policiais presos

O envolvimento de policiais com criminosos na região foi revelado em dezembro de 2011, durante a Operação Társis, realizada pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti), do Ministério Público Estadual.

Na época, Vaguinho e o investigador de polícia Celso Machado Castelan foram presos sob suspeita de envolvimento com o comando do tráfico de drogas. Outros policiais foram identificados como suspeitos de integrar o esquema, mas não foram presos.

Vaguinho é acusado de passar informações privilegiadas, distribuir munição e ser comparsa do ex-servidor da Prefeitura de Vitória Ismael Cirilo Vieira, o Gordinho, apontado como gerente do tráfico. Contra Castelan há acusação de lavagem do dinheiro arrecadado com a venda de drogas no Bairro da Penha.

Wagner continua preso, e Castelan foi solto por decisão da Justiça. Segundo o chefe da Polícia Civil, Joel Lyrio Júnior, ele foi afastado de suas atividades, mas recebe salário. Sua conduta é investigada pela Corregedoria da Polícia Civil, e se for considerado culpado pode ser até demitido.

Trio detido

Ontem pela manhã, três rapazes foram presos em São Benedito: Leandro Alves dos Santos, o Baiano, 28 anos; Luan Souza de Jesus, 20; e Adenilton Costa de Souza, 18. A PM diz que eles levavam com 140 pedras de crack.

Governador: "População não precisa se esconder"


O governador Renato Casagrande afirmou, ontem, que quem mora na região de São Benedito e do Bairro da Penha, onde há disputa de traficantes, não precisa ter medo.

"As pessoas não estão escondidas, não vão ficar escondidas. A polícia está na rua para dar tranquilidade. A presença do Batalhão de Missões Especiais e do 1º Batalhão da Polícia Militar são uma resposta à população que precisa de nós neste momento", reforça.

Sobre casos recentes de mortes ou ferimentos graves em vítimas de assalto no Estado, o governador disse: "São atos que acontecem, infelizmente, há muitos anos. De vez em quando isso se agrava. Embora tenhamos reduzido o número de homicídios, a sensação de insegurança aumentou devido a episódios de violência que dominaram a imprensa local, e é natural que isso aconteça."

Segundo Casagrande, o aumento do efetivo da PM; a restruturação da Polícia Civil e as ações do Programa Estado Presente em alguns bairros devem provocar mudanças. (Letícia Gonçalves)

Equipes de reportagem obrigadas a deixar morro
As ameaças feitas a quem circula em São Benedito, em Vitória, não param nem com a presença da polícia no local. Até as equipes de reportagem tiveram que se retirar do local, na tarde de ontem. Em apenas 15 minutos, foram duas ameaças.

Mesmo com a presença de quatro viaturas da Polícia Militar, no ponto final de São Benedito, dois rapazes tentaram intimidar os jornalistas. "Não é para filmar a gente aqui, não. Não confia na polícia porque o ‘bagulho’ aqui é doido. Eu vou é tacar pedra em todo mundo. Depois, tomam tiro na cara e não sabem por quê", disse o rapaz, às 16h30 de ontem.

Às 16h45, o clima ficou tenso, e as ameaças se intensificaram: "Se vocês não saírem daqui, se não forem embora, vou meter bala em todo mundo agora", gritou um jovem, que usava uma camisa de cor vermelha.

Em seguida, ele pegou um objeto para jogar contra os carros da imprensa. Na noite de segunda-feira, a equipe de reportagem da TV Gazeta também recebeu ordem para deixar o morro. (Ana Paula Mill)
“Os traficantes é que mandam aqui”
Pedreiro, 58 anos, morador de São Benedito

O medo da ação dos traficantes torna mais difícil o relato de moradores na região de São Benedito. Poucos arriscam-se a conversar com a imprensa. Um pedreiro de 58 anos, morador de São Benedito, falou à Rádio CBN Vitória, mas interrompeu a conversa ao ver que era observado.

Como o senhor vem se sentindo no bairro esses últimos dias?
Desde domingo, a situação é tensa. As pessoas que moram aqui não podem sair muito. Eles atiram o tempo inteiro, principalmente à noite. Na minha janela, tem um furo de bala. Há três meses, meu guarda-roupa novinho ficou furado de bala. Primeiro, o conflito era entre Jaburu e São Benedito. Agora, o Bairro da Penha também se revoltou contra São Benedito.

Eles, a que o senhor se refere, são traficantes?
São. Eles é que mandam aqui. Se subir um policial sozinho é até perigoso. Tem que subir
uns quatro policiais.

Não há opção além de atender às ordens dos traficantes?
Teimar é pior, até morre. Estamos sendo atingidos por essa guerra. A gente que não tem nada a ver com isso, mas, na hora que mandam fechar, tem que fechar. Esse fim de semana e ontem eles mandaram fechar tudo. Muitos moradores estão se mudando daqui. E eles ficam nos becos e no morro vigiando. A gente está conversando aqui, mas tem gente vigiando para saber o que estamos falando.
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