
SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo aceitou o pedido de prisão temporária solicitado pela polícia contra um suspeitoda morte de Jocely Laurentina de Oliveira, de 16 anos, e Juliana Vania de Oliveira, de 15anos, em Cunha, a 217 quilômetros de São Paulo. Segundo informou o Tribunal de Justiça de São Paulo, como o suspeito é foragido da Justiça, a detenção dele independe de novo pedido de prisão. Mesmo assim, a Justiça acatou o pedido feito pela polícia. Pela manhã, segundo a delegacia de Guaratinguetá, a informação era de que o pedido de prisão dele havia sido indeferido. Mas o TJ esclareceu que foi indeferido o pedido de prisão da namorada do suspeito, já que não há nenhuma prova contra ela.
Os corpos das duas irmãs, que moravam na cidade de Cunha, foram encontrados nesta segunda-feira.
O suspeito que é foragido de uma cadeia da região, teria trabalhado como ajudante de pedreiro na casa da família das vítimas. Segundo a delegada seccional de Guaratinguetá, Sandra Vergal, na casa do pai desse suspeito foi encontrada uma arma. A outra suspeita seria a namorada do foragido.
- Vamos colher mais provas, fazer perícia em veículos que podemos encontrar, ver se tem fios de cabelo na blusa delas e na do suspeito - disse a delegada.
Sandra Vergal disse que a polícia ainda apura o que motivou o crime, mas afirmou que não há nenhum indício de que tenha sido latrocínio (roubo seguido de morte).
- Pode ser violência sexual, não está descartado, embora o médico legista não tenha visto (indícios) a olho nu. Pode ser ciúmes. Pode ser um sentimento assim - disse a delegada, que não esclareceu porque a polícia trabalha com a hipótese de ciúmes.
De acordo com a delegada, a polícia levantou a hipótese de crime sexual pelo fato de as vítimas serem jovens e bonitas. Secreções dos corpos das irmãs vão ser analisadas pelo Instituto Médico Legal da capital paulista, para checar a possibilidade de crime sexual. A família das vítimas, segundo ela, não tem inimigos.

Sandra Vergal afirmou que é provável que a família das vítimas conheça os suspeitos e que o crime tenha sido cometido por mais de uma pessoa.
- Foram seis tiros, as duas vítimas tiveram que andar muito. Elas devem ter sido colocadas em um carro e para serem colocadas devem ter reconhecido alguém, se não teriam relutado muito - disse a delegada.
O pai das adolescentes, José de Oliveira, afirmou logo após o enterro das filhas, nesta terça-feira, que perdoa o criminoso. Oliveira, que é católico, afirmou que as filhas deixarão muita saudade e que a família vai rezar para superar a perda.
- Jesus diz para perdoar, por mais que a pessoa tenha cometido uma ofensa, tem de perdoar. Só espero que quem fez isso não faça de novo com outras pessoas - disse ele.
Oliveira tinha três filhas. Agora, só resta uma: Betânia, de 17 anos, a mais velha.
Betânia disse que sua família não tem ideia de quem cometeu o crime.
- Está nas mãos de Deus e da polícia - disse a jovem, a respeito das investigações sobre a morte das duas irmãs.
Betânia completa 18 anos amanhã.
A família tem esperança que a polícia vai descobrir o assassino.
- Elas eram muito boas. Eram alegres e divertidas. Não é fácil perder a família assim. Tem que prender, a pessoa tem de pagar - afirmou Cleber Teixeira dos Santos, de 18 anos, primo das meninas.
Moradores da cidade de Cunha pretendem fazer esta semana uma manifestação pedindo justiça, paz e segurança. O ato deve ocorrer na próxima quinta-feira, às 14h, no Alto do Cruzeiro. Os participantes devem levar flores em homenagem às irmãs.
- O promotor, o juiz, o comandante, o delegado não vivem aqui. A cidade está abandonada. Moro há 18 anos em Cunha e a violência começou de dois anos para cá - disse Dulce Maia, uma das organizadoras do ato.
O enterro no cemitério da cidade contou com muitos jovens, a maioria amigos de escola das garotas. Mais de mil pessoas participaram do velório e do enterro.

Ana Flávia, apontada como a melhor amiga de Juliana estava aos prantos e sequer conseguia falar. As duas estudaram juntas desde a 5ª série. A irmã dela, Renata Cristina Campos, diz que a morte de Juliana deixou sua família insegura.
- A Ana Flávia pega o mesmo ônibus escolar que a Juliana pegava. Não estamos mais seguros - diz Renata.
Os corpos de Josely e Juliana tinham evidências de violência sexual. Segundo a polícia, elas foram mortas a tiros. Josely levou dois tiros, Juliana quatro.
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